Ouça, na íntegra, o discurso de Jerónimo de Sousa…
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Numa breve visita a São Martinho do Campo, o Secretário-geral da CDU apelou à união dos trabalhadores.
Efusivamente e recebido a preceito, Jerónimo de Sousa abria caminho até às portas da Junta de Freguesia de São Martinho do Campo. A intervenção do Secretário-Geral estava inicialmente prevista para decorrer no auditório da Junta, no entanto, a multidão era tanta que o arruamento da Avenida Manuel Dias Machado revelava-se o local mais indicado. Tomando a palavra, Palmira Peixoto, dirigente sindical da SINTEVECC, evocava a “destruição do aparelho produtivo” do concelho de Santo Tirso. “Eu vinha do porto para cá e vinha a inventariar algumas das empresas de que eu tenho memória mas a determinada altura eu disse que nem valia a pena continuar porque são tantas as empresas e foram tantos os trabalhadores que era impensável prosseguir… São incontáveis… um dia, a história há-de falar disto e, com certeza, a há-de demonstrar que alguns que passaram pelo governo deste país foram autênticos criminosos” lamentava a sindicalista.
De faixas em riste, os trabalhadores da Flor do Campo não escondiam algum pesar. O Tribunal de Santo Tirso homologou recentemente o plano de insolvência da empresa, plano este que visa ressarcir os trabalhadores em 30 por cento dos créditos em dívida ao longo de dez anos mais dois anos de carência.
“Estamos com uma situação quente”, avisava Palmira Peixoto, “nomeadamente com trabalhadores da têxtil Flor do Campo… está a ferver… os trabalhadores vieram inclusivamente em desfile lá de baixo protestando pelas ruas de São Martinho de Campo, demonstrando o seu descontentamento e a sua revolta pelo facto de estarem, desde 2006, a espera que sejam repostos os salários… e isto para verem recentemente o tribunal de santo Tirso decidir que afinal eles não têm direito a 100% dos salários que ficaram na empresa.” “Por isso, foram em protesto no dia 19 e não vão parar por aqui…”, garantia ainda.
Segundo Palmira Peixoto, “ainda o ano passado, em Outubro, um dos deputados do PCP – o deputado Honório Novo – fez um requerimento na Assembleia da República dirigido ao Ministro da Economia e ao Ministro do Trabalho questionando a situação da Flor do Campo e aquilo que se pretendia fazer na assembleia de credores”. Até ao momento, não houve respostas.
Também Jerónimo de Sousa direccionou o seu discurso para os trabalhadores da Flor do Campo. “Não pensem que eles mudem de política só com boas intenções e com boas palavras se vocês estiverem quietos, se desistirem de lutar”, aconselhava o comunista numa referência clara à posição do Governo. “O não, já vocês têm… e, nesse sentido, têm tudo a ganhar e nada a perder em relação a essa situação dramática que existe aqui em Santo Tirso, pois nós sabemos que isto é um processo de ofensiva destruição contra o sector têxtil, sabemos isso”, acrescentava.
Quanto a este assunto, Jerónimo de Sousa não deixou de apontar o dedo à Segurança Social: “como é que nos podemos entender que uma segurança social, muitas vezes disponível para ajudar os patrões, não olhe para esta situação da empresa Flor do Campo em que assumiu um papel inaceitável de autêntico agiota, procurando atingir duramente os créditos dos trabalhadores… Isto é impensável! A Segurança Social que deve apoiar os trabalhadores, os desempregados e os reformados, com ganância, foi buscar ou tentar buscar créditos a quem neste momento não tem sequer salário”.
“Por isso, não se calem porque não é justo, no plano social e político que um governo disposto a abrir os cordoes à bolsa para o grande capital também não seja capaz de considerar o drama social que muitos de vocês vivem… Se vocês não lutarem, perdem de certeza e o crime será feito em silêncio. Enquanto tiverdes forças, não baixem os braços, não baixem as vossas bandeiras…” exortou o Secretário-Geral rematando com um significativo “podem contar com este PCP mas têm de fazer pela vida”.
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